quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Código Florestal. Só para Inglês ver!

Antes de mais nada, o Código Florestal deve ser tratado por bioma e não de forma única para todo o território nacional. Quem inventou as fronteiras foi o humano, a natureza não as reconhece.
 O Codigo Florestal deve ser tratado de forma sistema. A unidade sistêmica mais fácil de ser trabalhada é a microbacia hidrográfica. Planos de preservação que contemplem apenas divisas imobiliárias não levam a nada, mesmo porque estas divisas mudam muito facilmente.
Preservar pequenos trechos de mata, sem levar em consideração a sobrevivência da fauna, não representa muita coisa. O animais que vivem nos topos do morro precisam de beber água...e sem um corredor entre o morro e os rios, estes não ficaram lá. É bem sabido que o ecossistema não sobrevive sem a presença de animais, pois eles polinizam, espalham sementes, controlam a população de outros animais, se decompõe (completando o ciclo dos nutrientes), entre muitas outros serviços ecossistêmicos prestados. Esta preservação só pode ser feita por meio do planejamento de uma microbacia. Recordando, a lógica da natureza não é a nossa lógica.
É ingenuo pensar que cuidando de 20 a 30% da área (RL+APP) e deixando a exploração agropecuária fazer o que bem entender dos outros 70 a 80% nunca teremos bom desempenho ambiental. Precisamos incentivar uma agropecuária de base ecológica, seguindo conceitos de balanço energético, bom desempenho ambiental e biodiversidade. E porque não lucro, afinal vivemos num mundo capitalista (só que os serviços e custos ambientais devem ser contabilizados).
A lógica que a natureza usa para o equilíbrio dos ecossistemas é a biodiversidade e o humano luta o tempo todo contra esta lógica. Os espaços antrópicos (áreas de produção de alimentos) podem ser usados de forma a preservar a biodiversidade, com também as áreas de preservação podem produzir alimentos. Ao contrário...o que se faz! É sempre o humano querendo dividir em caixinhas cartesianas e criando guerras santas entre Ambientalistas e Ruralistas (muitas vezes com interesses escusos de ambos os lados).
O humano precisa buscar as soluções usando a lógica sistêmica da Natureza. Se isto não for feito, toda nossa luta, todo nosso discurso será em vão.

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