quarta-feira, 30 de abril de 2014

Plataforma eletrônica simula funcionamento de ecossistemas para aferir benefícios e impactos

Batizada de The Madingley Model, sistema permite simular perdas e ganhos ambientais antes que determinada ação seja tomada.


A Microsoft e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), após três anos de estudo e pesquisa, criaram o General Ecosystem Model (GEM), uma plataforma digital que simula qualquer tipo de vida na Terra, tanto no ambiente aquático, quanto no terrestre. Ela também ficou conhecida como The Madingley Model.
O modelo é o primeiro a cobrir todos os processos biológicos mais fundamentais que formam o ciclo de vida e o comportamento de todos os milhões e milhões de organismos do planeta. Ele leva em conta fotossíntese, alimentação, metabolismo, reprodução, dispersão, e morte, para, desse modo, capturar como tais processos influenciam na estrutura e no funcionamento dos ecossistemas inteiros.
A tecnologia criada em código aberto possibilita aos cientistas interagirem com todos os organismos de um dado ecossistema, observando quais seriam as alterações climáticas caso uma singela abelha desaparecesse do local. O objetivo da plataforma pode ser resumido em algumas perguntas mencionadas no site oficial: como as interações entre plantas e animais transforma os ecossistemas que vemos ao nosso redor? Como esses ecossistemas variam em todo o mundo? O que vai acontecer a esses ecossistemas no futuro em resposta a várias pressões humanas? Como podemos reduzir ou reverter qualquer dano já feito?
O nome da plataforma se deve ao local em que os desenvolvedores primeiro se reuniram, em uma pequena vila britânica. O modelo atual é capaz de reproduzir as características dos ecossistemas que vemos no mundo real, em pequena e grande escala, além de fazer previsões testáveis sobre como interações ecológicas entre organismos individuais moldam o mundo natural que nos rodeia.
Madingley oferece aos governantes uma ferramenta para explorar os potenciais efeitos de suas decisões sobre o meio ambiente, em um computador, antes que as decisões sejam lançadas no mundo real. Com ele, é possível ver os efeitos das ações humanas (tais como a perda de habitat ou a introdução de espécies invasoras no ecossistema), além dos serviços que o ecossistema pode oferecer (polinização, fonte de água potável, etc.).
“Madingley é uma nova tecnologia que oferece à comunidade científica e aos líderes mundiais uma ferramenta vital para prever como formas de desenvolvimento não sustentável podem afetar o mundo natural”, explicou o diretor executivo do Pnuma, Achim Steiner.
Para conhecer mais sobre a ferramenta, acesse seu site oficial (em inglês). Lá, também é possível se aventurar e baixar o programa para testá-lo.
fonte: http://www.ecycle.com.br/component/content/article/37-tecnologia-a-favor/2300-plataforma-eletronica-simula-funcionamento-de-ecossistemas-para-aferir-beneficios-e-impactos.html

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Relatório do 1º encontro da REDE de sistemas orgânicos de Produção Animal do DF

Objetivo: Levantamento de demandas para resolução dos entraves para o desenvolvimento de sistemas orgânicos de produção animal e/ou integrados.

Data da realização: 30 de abril de 2013, Local: Auditório da Emater-DF.

Participantes: Alberto Tavares – CLDF, Aline M. C. Racanicci – UnB, Ana Paula Alves da Silva - Tec. Balde Cheio, Anna Catarina V. Valle – Malunga, Antonio de A. Nobre Jr - Produtor/UnB, Carlos Gilberto Caetano – Produtor, Claudimir R. Sanches - SFA-DF, Clemente Riquelme - Produtor – Aves, Edson Garcia Cytrangulo - Emater-DF, Élcio F. Ministério – Produtor, Eliana Soares Rodrigues – Produtora, Florence Marie Berthier - Emater-DF, João Paulo G. Soares – Embrapa, Joe Valle - CLDF/ Malunga, José Roberto Oliveira - Emater-DF, Júlia Eumira G. N. Perini – IFB, Lúcio de Queiroz Passos – SEAGRI, Luiz Carlos B. Ferreira - Emater-DF, Marcelo I. Cores – Veterinário, Marcelo Piccin - Emater-DF, Maria C. Bustamante - COAGRE/MAPA, Mario Tupiguá – SEAGRI, Massae Watanabe -  Mercado Orgânico, Moacyr Pereira Lima – Sindiorgânicos, Natal Gomes da Silva - Emater-DF, Norma C. G. Sesana – Produtora,  Roberto G. Carneiro - Emater-DF, Sergio Dias Orsi - Emater-DF, Suzane Durães – CLDF, Tiago Castro de Castro Jr - Emater-DF e Virginia Mendes C. Lira - COAGRE/MAPA.

Introdução

A produção animal orgânica gera alimentos mais saudáveis para a população e tem princípios que colaboram para a preservação ambiental e justiça social. Porém, para que ela se torne uma realidade precisa ser viável técnica e economicamente. Os números hoje nos mostram que a quantidade de produtores orgânicos é muito pequena e que praticamente não existem produtos de origem animal nas feiras e mercados.
Várias são as causas deste panorama e precisamos tomar uma atitude para mudar está realidade. Portanto, por meio de uma rede de pessoas interessadas, podemos discutir os entraves e catalisar as potencialidades da produção orgânica. A rede, por meio do intercambio de informações pode gerar ações que, de maneira prática, viabilize o ensino, a pesquisa e a difusão de tecnologias de forma mais rápida, organizada e eficaz.
Os resultados gerados por estas ações poderão ser usados por toda a pecuária, mesmo que não orgânica, e todos poderão obter benefícios. Pois a eficiência no uso dos recursos é importante para todo e qualquer sistema de produção. É essencial para a sociedade produzirmos alimentos (e outros produtos animais) com bom desempenho ambiental, justiça social e viabilidade econômica. 

A reunião
            A coordenação foi feita pelos técnicos da Emater-DF: Luiz Carlos Britto Ferreira, Roberto Guimarães Carneiro e Sérgio Dias Orsi. Após apresentados os objetivos da reunião, uma breve exposição do “estado da arte” da Produção Animal Orgânica no DF e os diagnósticos/ações anteriores já realizados, foi levantado junto aos participantes, por meio da metodologia “tempestade de ideias”, os pontos críticos, dificuldades e demandas em geral.

Sistematização
            A coordenação anotou todas as falas dos participantes e as organizou classificando-as por dimensões, sendo elas: humano social, Ecológica Ambiental, Tecnológica, Econômica, Institucional, Política e Legal.
            Esta classificação foi feita para facilitar os encaminhamentos das ações a serem tomadas, pois casa ator pode se visualizar melhor no sistema e atuar no processo pontualmente, porém, pensando sistemicamente (agir local, pensar global).  A colheita é comum, mas o capinar é sozinho (Guimarães Rosa).


Apresentação das demandas dos participantes por dimensões

Humano social
As instituições, tanto públicas, quanto privadas, devem ter planejamento de curto-média-longo prazo;
As organizações sociais (sindicato, associações e cooperativas) precisam profissionalizar a gestão, buscar parcerias efetivas entre elas e com as instituições públicas;
A criação uma rede na cadeia produtiva serviria como facilitador de todos os processos;
Foram citados entraves como: os custos operacionais da cooperativa são altos, Individualismo (falta de consciência cooperativista), falta de participação efetiva dos cooperados (“dificuldade de realizar”), faltam recursos para pagar por gestão profissional;
Os processos de internalização e operacionalização na prática são lentos (CAISPE – levou 8 anos para se consolidar).
Avaliação do preço justo de venda.

Ecológica ambiental
Promover a diversificação (ajuda diminui problemas sanitários);
Fazer análise de águas subterrâneas e outros possíveis contaminantes.

Tecnológica
Projeto de pesquisa (estruturação da Cadeia do leite) enviado para a FAP-DF ainda não foi avaliado – processo muito moroso;
Projeto de desenvolvimento da produção agroecologica da Embrapa tem dez anos de pesquisa, tem um portfólio com todas as pesquisas que precisa de divulgado;
Recursos do MDA – Mais Alimentos para a UPPO na Agrobrasília foi cortado em 2/3 do seu valor inicial;
Animar o processo buscando as pessoas que podem ser parceiras na solução dos problemas;
Criar uma rede na cadeia produtiva;
Pesquisar e validar alternativas de: seleção genética, controle de endo-ectoparasitos, produção de grãos, fornecimento de nitrogênio (adubação verde), controle de invasoras, equipamentos e processos do uso eficiente dos insumos (uniformização na distribuição do composto, etc.), banco de proteínas, nutrição animal (núcleos, raçoes alternativas balanceadas, fatores anti-nutricionais da soja, etc.), homeopatia, prevenção e combate a doenças infecciosas, soluções práticas de bem-estar animal; redesenho dos agroecossistemas (Integração animal x vegetal), mecanização adaptada a realidade da produção orgânica, combate a formigas, entre outras;
Verticalização da produção - agregar valor;
Focar o debate na cadeia produtiva por produto;
Pesquisadores da Embrapa estão disponíveis para implantar unidades de produção orgânica de milho e soja. (O que limita são recursos financeiros para deslocamento);
Necessidade de se formar grupos para compras conjuntas;
Trabalhar (eventos, pesquisa, extensão) por cadeias produtivas;
Encontros periódicos nas propriedades rurais para troca de experiências, encaminhamentos de ações iniciais, ações que serão realizadas em curto, médio e longo prazo;
Desafio por gestão de diversos processos (complexidade da gestão);
Sincronização entre oferta e demanda (tem produto e não tem mercado);
Equacionar: preço, logística, canais de comercialização, escala, regularidade.
São feitos diagnósticos, mas não tem encaminhamentos efetivos (qual o método de trabalho que vaio trazer mais resultados);
Econômica
Verticalização da produção - agregar valor;
Rentabilidade (buscar eficiência no sistema de produção);
Sincronização entre oferta e demanda (tem produto e não tem mercado); 
Equacionar: preço, logística, canais de comercialização, escala, regularidade;
Dificuldade para conseguir esterco (matéria orgânica);
Atores do processo não dependem da atividade;
Qual o tamanho do empreendimento (escala?);
Encontrar equilíbrio entre o preço justo e de mercado;
Custos operacionais da cooperativa são altos;
Estratégia comercial da venda de aves (vivo ou abatido);
Tem que promover o produto orgânico (clareza quanto ao preço para os consumidores);
Estudo de mercado DF e Entorno (Quantidade, qualidade e em que preço o consumidor esta disposto a comprar, Onde está a demanda?);
SEBRAE - promover rodadas de negócio aproximando agricultores e compradores;
Esclarecer melhor o consumidor dos processos diferentes de produção e informar a sociedade dos ganhos em longo prazo (esta responsabilidade é do estado?).
Institucional
ATER voltada para massificação para agroecologia;
Melhorar a eficiência no uso dos recursos públicos - EMBRAPA;
Ser multiplicadores de processos pela proximidade do poder;
Submissão na Embrapa muito difícil, apesar dos avanços no geral como o marco referencial em Agroecologia.
Portfólio de tecnologias reúne projetos de todos os “macroprogramas - Embrapa”;
Transferência de tecnologia – Implantação de unidades de experimentação na propriedade dos agricultores;
Ter foco nos encaminhamentos;
Crédito – morosidade;
Dificuldade em implementar processos complexos nas instituições;
Diagnósticos sem resultados práticos no futuro.
Viabilizar os recursos colocados no orçamento da Emater-DF (melhorar a eficiência no uso destes recursos);
Aplicação de recursos de emenda parlamentar para montagem de unidades demonstrativas;
Morosidade nos trâmites processuais nas instituições públicas (normas para feiras orgânicas – não saiu);
Estratégia comercial – projeto para frango vivo nas feiras (ver se não há restrições nas leis da defesa agropecuária);
Cuidados na comercialização para separar ovo orgânico do não orgânico;
SEBRAE - promover rodadas de negócio aproximando agricultores e compradores;
Política
Legislação federal muito restritiva;
Incoerência – o produtor orgânico que tem que se proteger da contaminação dos transgênicos e não estes tem que evitar que a contaminação se espalhe;
ATER voltada para massificação para agroecologia;
Melhorar a eficiência no uso das emendas parlamentares;
Processo de massificação com inclusão de assentados da reforma agrária;
Utilizar recurso colocado no orçamento da Emater-DF;
Aplicação de recursos de emenda parlamentar para montagem de unidades demonstrativas;
Aumentar eficiência da Emater no uso dos recursos;
Lei de incentivo a Agroecologia – ainda não foi promulgada.
Legal
 Legislação federal muito restritiva;
Incoerência – o produtor orgânico que tem que se proteger da contaminação dos transgênicos e não estes tem que evitar que a contaminação se espalhe;
Melhorar a eficiência no uso dos recursos públicos - EMBRAPA;
Melhora a eficiência no uso das emendas parlamentares;
Certificação da produção de ovos e frango (dificuldades para atender a legislação);
Restrição na legislação está dificultando o processo de desenvolvimento da produção orgânica;
Lei de incentivo a Agroecologia – ainda não foi promulgada;
Certificação da produção de ovos e frango (dificuldades para atender a legislação);
Paradigmas institucionais (de normatização) dever ser superados.
Estratégia comercial – projeto para frango vivo nas feiras (ver se não há restrições nas leis da defesa agropecuária).

1.   Considerações Finais

As demandas foram levantadas e classificadas, agora cabe a cada um dos participantes da rede, fazer sua análise e refletir sobre seu papel neste sistema.
O próximo passo seria fazermos uma reunião para uma análise coletiva. A partir desta analise coletiva já proporíamos os encaminhamentos necessários para organizarmos melhor as ações (já que elas existem) para buscarmos maior eficácia.
Coloco-me a disposição para coordenar os encontros e as ações discutidas na REDE, o blog “Pecuária Ecológica” link: http://pececo.blogspot.com.br/  para divulgação de trabalhos, eventos e afins.
Espero a contribuição de todos em prol de uma Pecuária mais sustentável e rentável para o Criador, podendo levar assim, uma alimentação mais segura e saudável aos consumidores.


Luiz Carlos Britto Ferreira
Médico Veterinário
Extensionista Rural da Emater-DF
  
Brasília-DF, 2013

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Orientação sobre redução de antibióticos na pecuária - FDA

A Food and Drug Administration (FDA), agência que regulamenta medicamentos e alimentos nos Estados Unidos, está tomando medidas abrangentes para cortar o uso de antibióticos em rebanhos de animais destinados a Produção de alimentos, de olho na diminuição de surtos de bactérias resistentes a remédios.
A agência tem sido pressionada por grupos de consumidores e alguns membros do Congresso a lidar com o problema de microrganismos que não respondem à variedade de poderosos antibióticos e outras drogas "antimicrobianas" disponível atualmente. Acredita-se que uma das principais razões para a proliferação desses microrganismos é que antibióticos, como penicilinas e tetraciclinas, têm sido usados em demasia em fazendas americanas há meio século.
"Uma vez que o uso de drogas antimicrobianas tanto em humanos como em animais pode contribuir para o desenvolvimento de resistência antimicrobiana, é importante usar esses medicamentos somente quando clinicamente necessário", salientou a agência. O FDA afirmou ainda que a sua "orientação final", divulgada na quarta-feira, se concentra em drogas que também são usadas em humanos. Disse ainda que espera a eliminação progressiva do uso desses medicamentos para estímulo ao crescimento do gado e defenderá que eles sejam usados apenas sob a supervisão de um Veterinário.
A orientação da FDA pede a alteração dos rótulos de medicamentos para permitir o uso dos medicamentos somente quando for clinicamente necessário para o gado. A adoção é voluntária, mas funcionários da agência disseram esperar que grandes fabricantes de medicamentos de origem animal se adaptem. Michael Taylor, vice-diretor do FDA para alimentos, disse que os fabricantes têm 90 dias para dizer se cumprirão a orientação e três anos para realmente fazê-lo. A partir daí, a agência vai "considerar se novas medidas se justificam".
Alguns dos principais frigoríficos norte-americanos já começaram a vender produtos livres de antibióticos. A Smithfield Foods, comprada recentemente pela chinesa Shuanghui Internacional Holdings, usou fazendas de propriedade da empresa para criar Suínos sem antibióticos. A Cargill lançou em 2008 uma linha de Suínos criados sem antibióticos, hormônios ou outros estimulantes de crescimento, embora a empresa tenha ponderado que isso continua representando uma pequena parte de seu negócio global de carne de porco. A Tyson Foods, maior processadora de carne dos EUA em vendas, lançou no início deste ano uma linha de produtos frescos e congelados de frango sem antibiótico sob a marca "Fazendas Sustentadas pela Natureza". Para os seus produtos de carne convencionais, a Tyson disse que incentiva o "uso responsável" de antibióticos por fornecedores.
Alguns criadores de gado e Aves disseram ter cortado o uso de antibióticos nos últimos anos ou os eliminado completamente por solicitação dos frigoríficos. Walt Dockery, um criador de galinhas em Douglas, no Estado norte-americano da Georgia, disse ter eliminado antibióticos quase inteiramente há dois anos, a pedido da empresa avícola Pilgrim"s Pride, que adquire as Aves criadas por ele.