quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

O Mundo Orgânico Avança - Biofach 2016

por Angela Escosteguy

Boas notícias! Ocorreu há poucos dias a 26ª Biofach – a maior e mais importante feira mundial de orgânicos, em Nuremberg, Alemanha. Já na viagem de ida, algumas pistas do crescimento do setor: lanche orgânico no avião da Gol, revista de bordo da KLM com reportagem sobre o avanço dos alimentos orgânicos em Roma e lanches orgânicos no aeroporto de Amsterdam.
A feira de 80.000 m² teve este ano 48.000 visitantes, 10% a mais que no ano passado, provenientes de 132 países e cerca de 2.500 expositores. A Vivaness, feira de cosméticos naturais e orgânicos, que ocorre junto, também cresceu, acompanhando o mercado que este ano movimentou mais de um bilhão de dólares só na Alemanha.
O Brasil estava bem apresentado com dois grandes estandes, um da Apex Brasil e o Programa Organics Brasil e outro com produtos da agricultura familiar, coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário com o apoio do Ministério das Relações Exteriores e da Embaixada do Brasil em Berlim. Diversas Cooperativas do RS participaram levando arroz, suco de uva, geleias, erva mate, conservas, óleos essenciais e polpas de frutas.
biofach
Conforme Exame.com, “esta foi uma das melhores feiras dos últimos anos em negócios para as empresas. Em três dias nove empresas expositoras conseguiram fechar negócios para exportação nos próximos 12 meses e realizaram mais de uma centena de novos contatos cada. Açúcar, erva mate e mel, tiveram grande interesse das distribuidoras europeias. Os cosméticos da Surya Brasil tiveram expressivo interesse das tradicionais marcas e abriu mercados de spas e distribuidoras do leste europeu e países asiáticos”. O Projeto Organics Brasil calculou que neste feira, o Brasil faturou 2 bilhões 650 mil reais, 32,5% superior a 2014. Para os Estados Unidos, maior mercado mundial de orgânicos, os principais produtos exportados foram de matérias-primas semi-processadas, como: açúcar, óleos de dendê e outros óleos vegetais, castanha de caju, sucos de frutas (açaí), mel, erva-mate, outras frutas tropicais congeladas, café, preparações capilares, própolis e cachaça.
Mas a Biofach não é só negócios e contatos. Também ocorreram seminários, palestras, mesas redondas, reflexões e discussões relacionados não somente com produção e comercialização mas também sobre estratégias para o desenvolvimento do setor e rumos do movimento orgânico mundial. A IFOAM – Federação Internacional de movimentos de Agricultura Orgânica, entidade que organiza o Congresso Mundial de Agricultura Orgânica a cada três anos, lançou na feira o Programa ORGANICS 3.0 – a terceira fase do movimento orgânico mundial, uma proposta para responder os inúmeros desafios e oportunidades do mundo atual. O documento encontra-se em consulta até final de fevereiro.
Por sua vez, o FiBL – Instituto Suíço de Pesquisas em Agricultura Orgânica apresentou seu tradicional Relatório anual das estatísticas do setor sobre produção e mercado. Os dados publicados agora foram coletados em 2014, em 172 países de todos os continentes. Conforme a publicação a área com agricultura orgânica em 15 anos cresceu mais de 300%. Atualmente a área é de 47 milhões de hectares (dados 2014). A Austrália, com mais de 17 milhões, e Argentina com outros 3 milhões, são os dois países líderes em área certificada com grande participação na pecuária extensiva. O Brasil está no 12º lugar. Quanto ao mercado, estima-se que o valor global atingiu 60 bilhões de Euros. Os EUA tem o maior mercado com 27.1 bilhões de Euros, seguidos pela Alemanha, França e China.
Os alimentos de origem animal mostraram pujança e qualidade. É uma área que vem aumentado consideravelmente. Carne, leite, ovos, mel e derivados. In natura e processados. Provenientes de diversas espécies: bovinos, ovinos, caprinos, suínos, equinos, galinhas, frangos, perus, patos e marrecos, além de peixes e pescados. Consumidores conscientes exigem qualidade dos alimentos, bem estar animal e sustentabilidade. Apesar das críticas generalizadas aos animais, estudos científicos recentes comprovam que animais criados em sistemas extensivos são benéficos ao ambiente não somente pelo aporte de nutrientes ao solo como também pela captura de carbono na fotossíntese das pastagens. Pesquisas também têm comprovado que carne e leite orgânicos são mais nutritivos que os convencionais e muito importantes principalmente para o desenvolvimento físico e mental das crianças.
Este ano observou-se na feira uma presença considerável de alimentos processados e também de embalagens recicláveis mostrando a industrialização dos alimentos orgânicos. Aumentando assim a diversidade, a disponibilidade, a conservação e a especialização. As embalagens e apresentação costumam ter mais elegância que a dos concorrentes convencionais. Ao lado dos tradicionais e valorizados alimentos artesanais, surgem os processados e produzidos em grande escala. Sucos, cervejas, vinhos, espumantes, sorvetes, geleias, sopas, papinhas, bolachas, chips, vegetais semi-procesados, chás, suplementos, dentre outros. Sem falar linha dos produtos não comestíveis como roupas, embalagens e cosméticos, estes últimos com enorme avanço na Alemanha.
Voltamos para casa felizes e otimistas. Afinal todos merecemos um prato e um planeta mais saudável!
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Angela Escosteguy é médica veterinária, Presidente do Instituto do Bem Estar (IBEM) e da Comissão de Pecuária Orgânica da Sociedade Brasileira de Medicina Veterinária.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Mercado brasileiro de orgânicos deve movimentar R$ 2,5 bi em 2014


A agricultura orgânica ganha cada vez mais espaço na cadeia agrícola brasileira. Em 2014, ela movimentou cerca de R$ 2 bilhões e a expectativa é que em 2016 este número alcance R$ 2,5 bilhões, segundo o setor. O mercado nacional de orgânicos espera crescer entre 20% e 30% no ano que vem.
Os produtos de orgânicos agregam, em média, 30% a mais no preço quando comparado aos produtos convencionais, de acordo com analistas do setor. Segundo Jorge Ricardo de Almeida Gonçalves, da Coordenação de Agroecologia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a formação de preços depende especialmente do gerenciamento da unidade de produção, do canal de comercialização e da oferta e demanda dos produtos.
“Normalmente, os valores dos orgânicos são mais elevados que os dos produtos convencionais por terem uma menor escala de produção, custos de conversão para adequação aos regulamentos e processos de reconhecimento de sua qualidade orgânica”, assinala Jorge Ricardo. Na sua avaliação, o produtor de orgânicos ainda carece de crédito diferenciado e de tecnologias e assistência técnica, além de infraestrutura e logística adequadas às características da produção e do mercado de orgânicos.
Cadastro
Atualmente, há 11.084 produtores no Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos, gerenciado pelo Mapa. O banco de dados é liderado pelos estados do Rio Grande do Sul (1.554), São Paulo (1.438), Paraná (1.414) e Santa Catarina (999). Veja tabela abaixo.
A área de produção orgânica no Brasil abrange 950 mil hectares. Nela, são produzidas hortaliças, cana-de-açúcar, arroz, café, castanha do brasil, cacau, açaí, guaraná, palmito, mel, sucos, ovos e laticínios.
O Brasil exporta para mais de 76 países. Os principais produtos exportados são açúcar, mel, oleaginosas, frutas e castanhas.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Queijos artesanais agregam valor com Indicação Geográfica



O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) está trabalhando para ampliar as regiões produtoras de queijos artesanais com registro de Indicação Geográfica (IG). O Mapa identificou 18 áreas de produção de queijos artesanais de leite cru no Brasil, com maturação menor que 60 dias, que podem receber a IG, desde que preencham os requisitos higiênico-sanitários. Duas delas – a do Serro e a da Canastra, ambas em Minas Gerais – já têm o registro de Indicação Geográfica. O IG agrega valor ao produto, o que possibilita ao setor aumentar a geração de renda e de emprego.
Segundo a Coordenação de Incentivo à Indicação Geográfica de Produtos Agropecuários da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo (CIG/SDC) do Mapa, o registro de Indicação Geográfica é um reconhecimento da notoriedade, reputação, valor intrínseco e identidade do produto, além de proteger seu nome geográfico e distingui-lo de similares disponíveis no mercado.
Além do Serro e a da Canastra – regiões que já têm o IG concedido pelo Mapa – outras áreas produtoras já são reconhecidas pelo mercado consumidor pela qualidade e tipicidade de sua produção de queijos artesanais. Entre elas, o Cerrado Mineiro, a Serra do Salitre e Araxá, também em Minas, o Arquipélago do Marajó (PA), o Agreste Pernambucano (PE), o Seridó (RN), a região Serrana (RS e SC) e a região do Jaguaribe (CE).
As produções desses queijos envolvem grande quantidade de pequenos e médios produtores, que desempenham um importante papel social e econômico. Como grande parte da produção ainda é informal e não possui registro de Indicação Geográfica ou marca coletiva, o Ministério da Agricultura vem trabalhando para promover o desenvolvimento nessas regiões e o consequente reconhecimento dos produtos.
Para isso, consultores – contratados pela SDC, em parceria com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) - já visitaram essas oito áreas, levantando informações sobre as regiões e os queijos produzidos e identificando os agentes da cadeia produtiva (fornecedores de insumos/serviços, produtores, processadores e distribuidores), técnicos, governança local, secretarias de turismo e academia. Também promovem   eventos para sensibilizar as comunidades locais e demais envolvidos na cadeia produtiva de queijos artesanais.
Seridó Potiguar
No Rio Grande do Norte, por exemplo, foram realizados eventos de sensibilização para atores ligados à cadeia dos queijos artesanais da região do Seridó Potiguar. Um deles foi o Seminário de IG, organizado pela Superintendência Federal de Agricultura do Rio Grande do Norte (SFA-RN), com apoio do Sebrae, Emater, Adese e RN Sustentável, em abril deste ano. Participaram do seminário cerca de 50 pessoas, entre pequenos e médios produtores de queijo, sindicalistas, representantes de federações (de trabalhadores e patronal), gestores municipais e estaduais e técnicos com atuação municipal e regional.